Pronto! Está decidido! NÃO ME APETECE CRESCER! Definitivamente não quero crescer mais. Acabou-se.
Para quê crescer quando o mundo nos vê como autenticas crianças para umas coisas mas para outras já somos muito adultos? Mas para quê vale a pena! A minha fúria contra o mundo está descontrolada, fui ultrajada e só me apercebi isso passados os meros 9 meses. Estou revoltada.
Para as mentes mais sórdidas e ultra-realistas desde já dizer que os nove meses de que estou-me a referir não são os tão populares meses em que uma mulher sofre alterações de humor e aproveita para chantagear emocionalmente o companheiro amoroso. Os cientistas deram um nome para esse acontecimento de “ups!” mais popularmente conhecido, entre as estimadas senhoras do Bolhão, como “ a sua sobrinha tá prenha!”. O acontecimento que me provocou a minha fúria e a minha descrença no Mundo foi por volta de Junho de 2009 quando me dirigi às imediações da Biblioteca Municipal da Invicta afim de realizar um trabalho de grupo para uma disciplina “munto meiga” que eu tinha na altura. A inocência do meu pensamento nunca que me levou a pensar que esse dia viria a ter repercussões no meu sono do dia… oh pah! Não sei que dia é hoje. Mas prontos foi hoje que o meu sono foi perturbado pelos acontecimentos daquele derradeiro dia.
Acordei cedíssimo do tipo 9h da manhã para apanhar o metro e ter com o meu colega à biblioteca para fazermos a preciosa investigação para o nosso trabalho de grupo. Cheguei lá atrasada como é o meu costume, até porque era para me encontrar com ele às 9h em ponto na porta da biblioteca, e fomos muito animadamente, depois de ter feito aquela cara de “ups! cheguei atrasada” é ter dito “Desculpa o atraso. Olha tenho fome!”, para o café no outro lado e tomamos o pequeno almoço dos guerreiros. Por volta das 10h 15 da manhã decidimos começar a nossa investigação, depois de muito lamuriar-mos sobre o quão era bom estarmos na cama em vez de estar-mos ali, voltamos para a biblioteca. À entrada da biblioteca pedimos ao Senhor anafado que estava lá e que tinha cara de quem partilhava a nossa opinião “de que era melhor estar na cama do que ali” para chamar a responsável pela sala dos livros ultra-velhos ao qual deram o nome de arquivo qualquer-coisa. Bem nesse momento o meu peito encheu-se de orgulho, parecia um autêntico pavão em fase de acasalamento que esvoaça as suas as asas com as suas frondosas penas em jeito de “Quem é o gostosão daqui? SOU EU, SOU EU, SOU eu!” só para se fazer sentir o maior e para a fêmea gostar dele (o que não deixa de ser parecido com aquela raça que nós mulheres, maioritariamente, gostamos ao qual damos o nome de trastes, ou homens). O meu ego enchia-se. Nunca me senti tão importante no simples acto de chegar ao pé de uma pessoa subalterna e chamar o RESPONSÁVEL pelo arquivo secreto da biblioteca. Ahhh! Como me soube bem esse momento!
Passados alguns minutos o senhor virou-se para nós e disse para aguardarmos que a responsável viria ter connosco. Tudo bem! Na boa! Enquanto aguardávamos o meu colega sentou-se num dos bancos que estavam colocados no hall de entrada e eu pus-me a dançar e saltitar por lá! Ui que alegria. Penso que o meu colega ainda foi capaz de ouvir uma bela e harmoniosa melodia que se parecia com “Vamos para a zona dos reservados.! trá-lá-lá-lá-la. E tu não! Toma, toma, toma!” (sem dúvida um comportamento muito profissional). A responsável chegou, eu parei de saltitar, ela lançou-me um ar de espanto e informou-nos dos blá-blá-blá que para este blogue é completamente dispensável. Guiou-nos até uma sala onde lá informou-nos que tínhamos que assinar rubricar numa folha e eu pensei ”na boa”! Ao assinar reparei que tinha ligeiramente assinado na linha que esta por baixo ao qual pertencia a uma outra pessoa mas nem-me importei! Continuamos e a responsável guiou-nos até outra sala onde uma senhora que parecia ser a senhora que dá a cara para uma publicidade de bolachas de manteiga chegou-se a nós e a começou com um discurso aborrecidíssimo sobre a história do arquivo. Depois disso ela olha para mim e para o meu colega, voltou a olhar para mim e disse: “ Sabe menina para se poder ter a acesso ao arquivo precisa de ter mais de 18 anos.” e foi aí que a minha alma e o meu mais profundo ser ficaram parvos ao mesmo tempo. “O QUÊ????????????” foi o que a minha mente gritou furiosamente, mas eu apenas me limitei a dizer, numa voz doce e cordial, que tinha mais de 18 anos. Ela fez um sorriso que dava bem para ver toda a sua impecável placa dentária e disse: “Desculpe. Pensei que tinha 14 anos”. Eu sorri em jeito de compreensão e pensei para mim mesma “só espero que quando chegar aos 60 anos digas o mesmo”. Depois eu e o meu colega voltamos à pesquisa e fomos embora.
Passaram-se 9 meses desde esse dia quando hoje às 6 da manhã recebo uma mensagem no meu telemóvel. O som estridente do meu telemóvel levou-me a pegar nele em num momento que eu digo que foi puramente mecânico mandei-o contra a parede. Queria dormir mas o meu sono já estava perturbado. Fui então apanhar e recompor o telemóvel e depois apercebi-me que tinha deixado o pc ligado. Mais 2 minutos de sono desperdiçados só para desligar o pc. Foi então que vi o sinal que me dizia que tinha recebido um email. Lá fui eu munto meiga ver o mail quando me apercebo que é uma notificação do biblioteca municipal. Lá posso ver que eles fazem umas quantas alusões a uns códigos quais quer que existe na lei e depois estão a dizer, e foi aqui que a minha fúria contra a humanidade se revelou, eu estava atrasada na entrega de livro e que a somo desse atraso era de 74 EUROS!!!!! MAS QUE ROUBARIA VEM A SER ESTA!!!! HUM! QUE GAMAnÇO É ESTE.
Expressei tantas palavras neste momento de raiva mas como o seu conteúdo é demasiado hardcore prefiro dizer que utilizei muitas palavras do livro “Como Insultar uma PESSOA/COISA/ATITUDE”. A minha revolta estava patente e tudo pelo simples facto de que eu nunca requisitei nenhum livro lá. Ai que raiva. E para cumulo dos cúmulos eles no mail trataram-me por SENHORA. Quer dizer para ir a zona dos reservados para fazer investigação eu sou muito nova mas para me roubarem já sou velha! Este mundo está perdido. Mas em jeito de vingança mandei um email que continha as seguintes frases:
“ Caro Senhor Qualquer coisa apenas em resposta ao vosso email dizer que EU, tal como o senhor, sofro de síndrome do Peter Pan e por isso eu envio este email com os imaginários 74 euros que devo pelos imaginários livros que requisitei.
Como os adultos tão filosoficamente costumam dizer: “imaginar é algo que pertence à criança que está dentro de nós e de vez enquanto revelar essa criança só torna o mundo melhor”. É bom saber que criança que imaginou que eu tinha na minha posse esses tais livros imaginários encontra-se exactamente na mesma faixa etária que a criança que agora lhe manda, imaginariamente, os 74 euros que deve.
Fique bem!
Tenha um bom dia”
Mais nada a dizer. Uma resposta adequada à faixa etária deles é o que mereciam mas o tempo do gugu dádá já passou e por isso teve que ficar assim. Agora vou comer bolachas esmagadas com banana e ver desenhos animados.
Para voçês que leram isto apenas vos desejo muitas bolachas de chocolate.
Bijus.